segunda-feira, 30 de novembro de 2009

A Escolha

0 comentários
Democracia direta, a Suíça convocou um plebiscito para decidir se o país conviverá com os minaretes ou se eles serão proibidos.
Ao optarem pelo controle da natalidade, pelo aborto, pela recusa de aceitarem certos empregos, os europeus abriram as portas para a imigração. No passado eram eles que iam colonizar outros territórios. Os imigrantes tendem a ser mais prolíficos que os europeus. Radicados em países democráticos e com liberdade de opção religiosa, muitos imigrantes oriundos da África e do Oriente Médio optam por continuarem fieis às suas religiões e tradições culturais. O europeu e o ocidental em geral têm dificuldade para encarar que expondo a pessoa ao materialismo existencial, à sociedade de consumo, à educação laica, à intelectualidade anti-religiosa ela pode optar por continuar fiel à sua religião. Para um oriental, ser fiel às suas tradições e à sua religião é um fenômeno bastante compreensível. Porque perderam em grande parte a fé e abandonaram seus costumes, os ocidentais que assim procederam esperam que todos também o façam. Algo similar já ocorreu na história ocidental quando o patriciado romano começou a murchar. Embora estivesse em seu auge quando o Cristianismo surgiu, o Império Romano convivia com o aborto e infanticídio e essas duas práticas minavam o grupo social dominante ( os patrícios ) : “ L’aborto e l’infanticidio furono aboliti ed esecrati dai cristiani in mezzo a una societá che sempre più li praticava. “ ( MONTANELLI, Indro. Storia di Roma. Superbur. Milão. 1997, p. 313 ). O mesmo grupo social dominante em Roma, que praticava o aborto, há muito havia perdido a fé em seus deuses e permitia a importação de deuses dos povos vencidos ( incluindo aí o Deus dos cristãos ). Mesmo antes do Império, quando Júlio César propôs uma lei popular e o Senado se opôs, o projeto da lei teve que ser explicado na Assembléia. Bibulo, um dos integrantes da Assembléia vetou o projeto dizendo que os deuses, interrogados, mostraram-se contrários ao tal projeto. Diante da frase de Bibulo, a Assembléia começou a rir freneticamente. Em outros tempos, a explicação de Bibulo teria sido aceita. Por mais que fosse ridículo acreditar que era possível consultar os deuses para saber sobre o destino de um projeto de lei, é preciso lembrar que foi tal tradição que levou Roma a se erguer, de um débil povoado camponês, para ser a capital do mundo mediterrânico. A importação de outras religiões, culturas e povos, o desaparecimento da antiga classe dirigente pela queda da natalidade e pela ascensão de outros grupos sociais e o enfraquecimento da religião oficial explicam em grande parte a crise do mundo romano e a ascensão do Cristianismo. Quem eram os primeiros cristãos que fizeram sua religião crescer enquanto as tradições romanas definhavam justamente no momento no qual Roma aparentava tanta força? Segundo historiadores, eram pessoas de todos os grupos sociais, embora predominassem os que tivessem poucos meios. Geralmente eram pessoas industriosas e pacíficas, prolíficas, que financiavam os cristãos mais pobres. Teriam eles semelhanças com algumas comunidades de imigrantes muçulmanos radicadas na Europa atualmente?
Caso os europeus queiram que os minaretes não predominem em seus territórios terão que mudar alguns comportamentos e a proibição legal não basta ( lembremo-nos que o Cristianismo já foi proibido e perseguido em Roma ). Seguramente terão que ter mais filhos ( o que dificilmente ocorrerá na atual conjuntura ), terão que aceitar empregos que muitos consideram não compatíveis com seu nível social ou intelectual e terão que resgatar sua identidade cultural, incluindo a sua identidade religiosa. Não creio que nada disso acontecerá. Acho que a Europa continuará se esvaziando de europeus, que os cristianismo perderá cada vez mais fiéis no continente e que os imigrantes continuarão sendo os mais prolíficos por lá. A Europa do futuro será seguramente menos cristã e menos branca. Os europeus do futuro serão uma mescla dos europeus de hoje com a multidão importada da África, Oriente Médio, Ásia Meridional, Ásia Oriental e América Latina. A cultura européia do futuro também será filha desse cadinho étnico. Os europeus já fizeram sua escolha.

Josué Navarro de Andrade

Featured

COC Franca - Visite nosso site: www.cocfranca.com.br